» Encontro em Ivoti

» Festa do colono e motorista

»  Seminário Visate

»  Evento Líder Tratores

»  Visita ao cliente no campo

»  Empresa do Sorriso

»  Viagem ao Chile

   
 

Colaboradores da Hoff realizam a travessia rodoviária da Cordilheira dos Andes

 

Para muitas pessoas, viajar de carro é uma escolha. A liberdade de optar pelos horários e definir quais serão as paradas permitem aproveitar a paisagem pelo caminho. No entanto, algumas rodovias, por serem sinuosas demais, exigem bastante experiência ao volante.
Para o motorista de caminhão esta experiência é uma rotina diária e faz parte do seu trabalho. No transporte de cargas entre o Brasil e o Chile esta tarefa é uma aventura que percorre grandes distâncias e conta com o desafio da travessia da Cordilheira dos Andes, uma vasta cadeia montanhosa que se estende por vários países da América Latina como o Chile, Argentina, Peru, Bolívia, Equador e Colômbia. Com trechos que chegam a atingir 160 km de largura, do extremo leste ao oeste, a altitude média da Cordilheira gira em torno de 4000 metros acima do nível do mar.

Uma das principais ligações terrestres que atravessa a paisagem congelada da Cordilheira dos Andes é conhecida como “Ruta 7” no território argentino e “Ruta 60” no Chile. Nos dois países, a estrada se encontra em bom estado de conservação e sinalização. A maior dificuldade para os caminhoneiros em trânsito na rodovia diz respeito às baixas temperaturas que chegam atingir 25 graus negativos. Em muitas ocasiões ocorrem nevadas que provocam o fechamento da rodovia pelas autoridades dos dois países (Argentina e Chile) e resultam em filas intermináveis de caminhões parados nos dois lados da montanha. Essas esperas, que podem durar vários dias sob um frio intenso, acabam expondo os caminhoneiros a sérios riscos de saúde, dificuldades com a alimentação e higiene, além dos eventuais problemas mecânicos ocasionados ao caminhão. Os motoristas mais experientes conhecem muito bem esta rotina e vão preparados com a caixa de alimentos bem sortida, além de roupas especiais para suportar o frio.

No território chileno, a rodovia se transforma em um verdadeiro desafio. Assim é o trecho conhecido como “Los Caracoles” (Caracóis), um percurso de 15 quilômetros com 28 curvas em forma de cotovelo e onde o ponto mais alto atinge os 3.500 metros de altitude. A paisagem, apesar de bonita, é assustadora em razão dos penhascos. A velocidade das carretas fica entre os 15 e 40 km/h e em muitas ocasiões é preciso utilizar correntes nos pneus para enfrentar o gelo acumulado na pista que aumenta ainda mais os riscos de acidentes.

 

Clique aqui para assistir ao vídeo
com os melhores momentos da viagem.



 
Diário de bordo:
 
 
Para conhecer a realidade dos caminhoneiros que realizam a travessia rodoviária da Cordilheira dos Andes, Gilnei Rigon (Gerente Comercial da Hoff) viajou de carona na boléia de um caminhão da Panosso Transportes, empresa parceira e cliente da Hoff. Com sede em Uruguaiana, a Panosso é uma transportadora com vasta experiência no transporte de cargas entre os países do Mercosul realizando operações no Brasil, Argentina e no Chile. Jairo Panosso, diretor da Panosso Transportes, ofereceu todo o apoio para realização do projeto que registrou em imagens e depoimentos as dificuldades enfrentadas pelos caminhoneiros na travessia da cordilheira.

Sexta-feira, 12 de agosto
A viagem teve início em Paso de Los Libres, cidade argentina que faz fronteira com Uruguaiana, no Brasil, onde Gilnei Rigon acompanhado de Carlos Bertê (Assistente de Negócios as Frotas da Hoff) embarcaram de carona no caminhão conduzido pelo motorista Paulo Cesar da Silva, conhecido pelos amigos como “Benittes”, profissional com experiência no transporte de cargas internacionais.

 
 

Sábado, 13 de agosto
Na estrada, a bela paisagem e o frio eram presença constante. A passagem por um túnel sob o leito do Rio Paraná, na chegada da cidade de Santa Fé, chamou a atenção dos viajantes. Em todo o trajeto, as estradas apresentam bom estado de conservação e a maior dificuldade para os motoristas é o abastecimento de diesel. Muitas vezes, é necessário realizar um desvio na rota em vários quilômetros para encontrar o combustível por um preço razoável ou onde a venda não seja racionada. Outra dificuldade é a falta de uma infraestrutura especializada em serviços e assistência aos caminhões. Durante a viagem, foi necessário socorrer outro caminhão da Panosso Transportes, conduzido pelo motorista Regis, que apresentou problemas na bomba d'água. Devido às baixas temperaturas é comum que os veículos apresentem falhas mecânicas provocadas pelo frio e o esforço na subida da Cordilheira.
A cair da noite, a viagem prosseguiu pela Ruta 7, rodovia totalmente iluminada que faz a ligação até a cidade de Mendoza.

 
 

Domingo, 14 de agosto
Na manhã de domingo, quando foi comemorado o Dia dos Pais, os motoristas que pernoitaram na cidade de San Luis aproveitaram a presença da equipe da Hoff para enviar mensagens para seus familiares. Passar períodos festivos longe de casa é uma realidade comum aos profissionais da estrada e, nestes momentos, todas as dificuldades do trajeto dão lugar para a saudade dos filhos, da esposa e dos amigos.

A partir de San Luis, a viagem prosseguiu em um comboio de caminhões brasileiros. Próximo de Mendoza, o Dia dos Pais foi comemorado com um churrasco na beira da estrada. No mesmo paradouro, a equipe da Hoff encontrou vários motoristas da Transportadora Pellenz. Cliente da Hoff, a Pellenz é uma empresa de Caxias do Sul especializada em logística internacional.
Na parte da tarde, as Cordilheiras dos Andes passaram a dominar completamente a paisagem com suas montanhas cobertas de neve, lagos e rios de água cristalina.

 

Segunda-feira, 15 de agosto
A viagem prosseguiu pela Ruta 60, no Chile, onde a temperatura caiu para 13 graus abaixo de zero. O trecho de subida da Cordilheira é realizado em aproximadamente uma hora e pode ser considerado tranquilo quando não existe acúmulo de neve na pista. A rodovia sinuosa e com muitos túneis revela uma paisagem congelada e deslumbrante.

A descida das Cordilheiras é feita pelo trecho conhecido como “Los Caracoles” (Caracóis), uma sequência de curvas íngremes que exigem pneus em excelentes condições e muita experiência do motorista. Gilnei Rigon pode constatar que a maioria dos caminhões encontrados pelo caminho estavam equipados com pneus Bridgestone e recapagens Bandag que, segundo o depoimento de diversos motoristas, oferecem muito mais segurança no trajeto. Em alguns pontos da estrada existem refúgios para abrigo dos motoristas no caso de serem surpreendidos por uma nevasca no meio da viagem. Outro recurso emergencial são pontos de fuga cobertos por brita posicionados ao lado da pista que servem para conter os veículos com problemas mecânicos ou de freios.
Após a chegada em Los Andes, uma nevasca atingiu a região e as autoridades fecharam a rodovia por tempo indeterminado para garantir a segurança dos motoristas. A equipe da Hoff teve que mudar os planos e retornou de avião para o Brasil. O motorista da Panosso Transportes ficou aguardando a liberação da rodovia e só conseguiu retornar no dia 20 de agosto.